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TEMPO DE SILÊNCIO
Era o tempo do silêncio. Com toda a paciência a hora amadureceu a ausência dos pássaros a serenidade das árvores. Crianças desataram os nós dos ventos. Crisântemos choraram sob as crinas do tempo. Era a hora da despedida. Com todo o cuidado ele acariciou-lhe o rosto beijou-lhe os olhos. Ele a abraçou como quem acalanta nos braços um recém-nascido. Era o tempo do ocaso. Namorados colheram os sorrisos da tarde. Frutos tombaram sobre as lágrimas da terra. Era a hora do amadurecimento. Com toda a ternura ele desprendeu-se daqueles cabelos de jasmim desatou-se daquele corpo de orvalho. Ele despediu-se de sua própria face disse adeus ao próprio nome e desnudo de si mesmo afastou-se em direção ao outono perdeu-se na amplidão sem sequer voltar-lhe o rosto. Era o tempo do silêncio.
envio carlos machado- poesia.net
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